Vivemos uma época em que o ódio parece ter se tornado uma doença contagiosa.
As pessoas disputam tudo: espaço, opinião, poder, atenção, “verdades”.
As palavras ficaram mais duras, os gestos mais agressivos, e os corações mais cansados.
Essa pandemia invisível não ataca o pulmão, mas sufoca a alma.
Ela adoece famílias, separa amigos, destrói comunidades, corrói nações inteiras.
Em todos os setores da vida vemos polaridades: “nós contra eles”, “certo contra errado”, “bons contra ruins”.
E nesse cenário, o amor, que deveria ser o remédio, é muitas vezes esquecido ou ridicularizado.
Espiritualmente, porém, sabemos que nada acontece sem propósito.
As crises coletivas revelam as sombras individuais que ainda carregamos dentro de nós.
O ódio do mundo é reflexo do ódio que cada um ainda não curou dentro de si.
A raiva que explodimos lá fora é o eco daquilo que ainda não foi pacificado cá dentro.
Como vamos sair dessa situação?
Começando pelo único território realmente sob nosso comando: o próprio coração.
Não mudaremos o planeta gritando mais alto, mas vibrando mais alto.
Não será com mais discussão, mas com mais exemplo.
Do que necessitamos?
De menos dedos apontados e mais mãos estendidas.
De menos acusações e mais escuta verdadeira.
De menos “eu tenho razão” e mais “como posso te compreender?”.
O remédio espiritual para a pandemia do ódio é simples, mas exige coragem: amor em ação.
Amor que se traduz em respeito, mesmo na divergência.
Amor que escolhe silenciar uma ofensa em vez de alimentá-la.
Amor que ora por quem erra, em vez de apenas condenar.
Para onde seguir?
Para dentro de nós, em primeiro lugar, para reencontrar a centelha divina que nos habita.
E, a partir daí, seguir em direção ao outro, não como adversário, mas como irmão de caminhada.
O mundo não será salvo por grandes discursos de ódio, mas por pequenos gestos de amor repetidos todos os dias.
Que cada um de nós seja um antídoto vivo contra essa pandemia.
Quando o ódio aparecer, respondamos com serenidade.
Quando a raiva surgir, respiremos e oremos.
Quando a injustiça doer, peçamos forças a Deus para agir com firmeza, mas sem perder a humanidade.
Assim, pouco a pouco, a pandemia do ódio dará lugar a uma outra onda: A onda silenciosa, poderosa e transformadora do amor em movimento. E o planeta, ferido e exausto, começará a respirar aliviado no abraço da nossa renovação interior.
Com amor,
Irmão Savas
(Mentor espiritual do Núcleo Espirita Nosso Lar)
